Arte poética

Vem de quê o poema?
De quanto serve
A traçar a esquadria da semente:
Flor ou erva, floresta e fruto.
Mas avançar um pé não é fazer jornada,
Nem pintura será a cor que não se inscreve
Em acerto rigoroso e harmonia.
Amor, se o há, com pouco se conforma
Se, por lazeres de alma acompanhada,
Do corpo lhe bastar a presciência.
Não se esquece o poema, não se adia,
Se o corpo da palavra for moldado
Em ritmo, segurança e consciência.


José Saramago, „Arte poética”
„Os poemas possíveis”. 3ª ed., Lisboa: Editorial Caminho, 1981.


Podržite održavanje bloga fake poet klikom na neku od reklama, unapred smo zahvalni: