When it’s cold in the season for cold, to me it feels pleasant


When it’s cold in the season for cold, to me it feels pleasant,
Since, suited as I am to how things exist,
What’s natural is what’s pleasant just because it’s natural.

I accept life’s hardships because they’re destiny,
As I accept the harsh cold in the dead of winter—
Calmly and without complaint, as one who simply accepts,
And finds joy in the fact of accepting,
In the sublimely scientific and difficult fact of accepting the inevitably natural.

Aren’t the illnesses I have and the adversity I experience
Just the winter of my life and person?
An erratic winter, whose laws of appearing are unknown to me
But that exists for me by the same sublime fatality,
The same inevitable fact of being outside me,
As the earth’s heat in high summer
And the earth’s cold in the depths of winter.

I accept because it’s my nature to accept.
Like everyone, I was born subject to errors and defects,
But not to the error of wanting to understand too much,
Not to the error of wanting to understand only with the intelligence,
Not to the defect of requiring the world

To be something other than the world.

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Quando está frio no tempo do frio, para mim é como se estivesse agradável,
Porque para o meu ser adequado à existência das coisas
O natural é o agradável só por ser natural.

Aceito as dificuldades da vida porque são o destino,
Como aceito o frio excessivo no alto do Inverno—
Calmamente, sem me queixar, como quem meramente aceita,
E encontra uma alegria no facto de aceitar—
No facto sublimemente científico e difícil de aceitar o natural inevitável.

Que são para mim as doenças que tenho e o mal que me acontece
Senão o Inverno da minha pessoa e da minha vida?
O Inverno irregular, cujas leis de aparecimento desconheço,
Mas que existe para mim em virtude da mesma fatalidade sublime,
Da mesma inevitável exterioridade a mim,
Que o calor da terra no alto do Verão
E o frio da terra no cimo do Inverno.

Aceito por personalidade.
Nasci sujeito como os outros a erros e a defeitos,
Mas nunca ao erro de querer compreender demais,
Nunca ao erro de querer compreender só com a inteligência.
Nunca ao defeito de exigir do Mundo
Que fosse qualquer coisa que não fosse o Mundo.


Fernando Pessoa
Alberto Caeiro, ''When it’s cold in the season for cold, to me it feels pleasant'' / ''Quando está frio no tempo do frio, para mim é como se estivesse agradável''
Photo: Rodney Smith
   

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